TEXTOS PARA INSPIRAÇÃO ( NÃO É PRECISO CITÁ-LOS, NEM TRECHO DELES)
TEXTO 1
http://www.ebc.com.br/noticias/2015/05/ministerio-publico-analisa-se-cantora-de-funk-caracteriza-trabalho-infantil
TEXTO 2
OPINIÃO
Crianças
podem se apresentar em bailes funk? Sim
09/05/2015 02h00
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ADRIANA
FACINA: MORALIZAR OS POBRES
O que se
observa na sociedade brasileira é um desejo amplamente difundido de moralizar
os pobres. Modos de vida, manifestações culturais, fazeres artísticos e formas
de sociabilidade populares são permanentemente estigmatizados e até mesmo
criminalizados.
Crianças
pobres, negras, que moram nas periferias brasileiras crescem sem creches ou
escolas públicas de qualidade. Desde pequenas, essas crianças compartilham de
uma cultura de sobrevivência que transforma dor em arte.
Elas
estão nos terreiros, soltando pipas nas lajes, nas quadras das escolas de samba
e nos bailes funk. Os pais não contam com babás e têm de levar os filhos para
seus divertimentos –necessário para alimentar alma e corpo para rotinas de
trabalho estafantes– com muitas horas perdidas nos deficientes transportes
públicos.
Nesse
contexto, o funk, assim como outras formas de diversão e lazer, pode
representar também esperança. Possibilidade concreta de mudar de vida, de
sonhar com reconhecimento, com a vida farta que todos queremos.
Muitos
dos que se escandalizam com as performances dos MCs crianças apoiam
entusiasticamente a redução da maioridade penal, a despeito de a Unesco estimar
em apenas 1% os homicídios cometidos por menores de idade no Brasil.
Essa
preocupação tão intensa com a "sexualização" das crianças não deveria
vir acompanhada de medidas protetivas gerais e de valorização da vida dos
pequenos?
"Primeiro
a barriga, depois a moral." É com essa frase que o poeta e dramaturgo
alemão Bertolt Brecht (1898-1956) criticava a moral burguesa que busca
universalizar critérios de julgamento das condutas humanas como se todos
vivêssemos realidades iguais.
Dizendo
de outra maneira, para que todos nós pudéssemos ter nosso comportamento em
sociedade avaliado pelos mesmos parâmetros teria de haver igualdade social (e
não somente jurídica ou formal).
Radicalizando
ainda mais, Brecht defende que em situação de escassez, material ou de
direitos, não há moralidade possível. A moral depende, portanto, de condições
de vida dignas, já que precariedade é a maior imoralidade de todas.
Essas
crianças, no entanto, têm contato com a morte violenta desde muito cedo.
Pequenas ainda assumem tarefas como cuidar de irmãos, do lar e mesmo ajudar
seus pais em trabalhos variados para garantir a sobrevivência da família.
Os olhos
dessas crianças envelhecem mais cedo que seus corpos, pois elas vêm e vivem
coisas que nenhuma criança deveria ver e viver. Elas são alvo e podem morrer
com um tiro na cabeça, como aconteceu há poucas semanas com o pequeno Eduardo,
no Complexo do Alemão.
Ao que
tudo indica, o tiro partiu da polícia e, infelizmente, não foi o único nem será
o último tiro dado pelo Estado brasileiro em crianças faveladas. Só em 2012
foram mais de 30 mil jovens assassinados no Brasil, de acordo com a Anistia
Internacional. Quase todos eram pobres e, em sua maioria, negros.
Não
podemos esquecer, por fim, da farta contribuição midiática para a exposição do
sexo e do corpo feminino como mercadorias, disponíveis para todas as idades,
nos comerciais, publicações e atrações televisivas variadas.
Se
estamos de fato preocupados com nossas crianças, e não apenas repetindo velhos
preconceitos gerados na casa-grande, temos de ampliar sensivelmente nosso
escopo de indignação.
Se para
cada criança violada em seus direitos batêssemos uma panela, nosso batidão
seria capaz de produzir o maior e mais ensurdecedor baile funk do mundo.
ADRIANA
FACINA, 44,
antropóloga, é professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia
Social/Museu Nacional/UFRJ
*
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publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros
e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.
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comentários
(09/05/2015 07h52) há 5 dias
Concordo que a
moral no Brasil não passa de uma hipocrisia! mas criança em baile funk! é
cúmulo do absurdo...
O comentário não
representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem
(09/05/2015 19h10) há 4 dias
A pessoa fez um
discurso lugar comum sempre acusando a "burguesia" de opressora
contra os pobres pobres... a única coisa q ela não falou foi da situação de uma
criança em baile funk... que sabemos, qdo passa da meia-noite tá todo mundo
chapado, não só com bebida, mas, com drogas, pobres alunos da ufrj... vão se
formar em marxismo.
O comentário não
representa a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem
(09/05/2015 21h56) há 4 dias
Jeito romântico de
fugir do tema central! Afronta ao ECA, sim! Quem falou que as crianças vão a
baile funk com pais? Sou Policial Militar e lido com o tema na prática! Provo a
essa senhora que há muitas crianças e adolescentes em situação de risco, no meio
desses bailes.....haja hipocrisia para certos temas!
.................
texto 3
Crianças
podem se apresentar em bailes funk? Não
09/05/2015 02h00
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CORONEL CAMILO: CONVIVÊNCIA COM LIMITES
O funk é uma forma de expressão cultural, mas
algumas de suas letras apresentam conotações eróticas. A tendência
contemporânea, entretanto, traz à discussão um problema: a erotização das
crianças.
Pela forma como o funk se propaga, principalmente por meio das redes sociais, e pela forma apelativa com a qual algumas pessoas exploram, o assunto foi levado ao Ministério Público.
Pela forma como o funk se propaga, principalmente por meio das redes sociais, e pela forma apelativa com a qual algumas pessoas exploram, o assunto foi levado ao Ministério Público.
Não sou contra as manifestações culturais, desde
que elas não interrompam a infância ou antecipem fases da vida. Não é natural
uma criança de oito anos que deve brincar e estudar ser incentivada a cantar
letras de cunho erótico e reproduzir coreografias sensuais.
Em geral, os bailes funks são locais onde há o
consumo excessivo de bebidas alcoólicas, ocorrem tarde da noite –geralmente
varam a madrugada– e muitos deles não têm autorização do poder público para
funcionar.
Em muitas ocasiões há o uso de drogas, como já flagrado
pela polícia, objeto de prisões e mesmo mostrado em noticiários, por meio de
reportagens com filmagens ocultas.
Dessa forma, como saber, então, se no desenrolar de
um baile funk o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) está sendo cumprido?
Crianças e adolescentes são pessoas em processo de
desenvolvimento e têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade.
O estatuto assegura a ida e a permanência de
crianças em espaços públicos, mas desde que obedecidas as restrições legais.
Uma delas é a vedação à frequência em ambientes onde há pessoas dependentes de
substâncias entorpecentes. Então, se nesses bailes houver consumo de drogas, em
hipótese alguma a criança ou o adolescente podem estar presentes.
É preciso entender que é dever de todos prevenir a ameaça
ou a violação dos direitos dos adolescentes. A criança tem o direito à cultura
e ao lazer, mas desde que respeitem sua condição peculiar de pessoa em
desenvolvimento.
A lei obriga o poder público a regular esse tipo de
entretenimento. É o que diz o artigo 74 do ECA: "O poder público, através
do órgão competente, regulará as diversões e espetáculos públicos, informando
sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e
horários em que sua apresentação se mostre inadequada."
Ainda deve ser afixada na entrada do evento, em
local visível, a faixa etária e a sua natureza. E as crianças menores de dez
anos ainda têm que estar acompanhadas dos pais.
É dever da família, da comunidade, da sociedade em
geral e do poder público assegurar a dignidade, o respeito e a convivência
comunitária, que tem que ter limites.
O excesso de erotização infantil, as roupas
extremamente curtas, os movimentos insinuantes, a convivência em ambientes com
excesso de consumo de álcool e o som em volumes acima do recomendado para a
saúde de qualquer adulto, quiçá de uma criança, são incompatíveis com a
formação dos nossos meninos e meninas.
Vejamos o exemplo dos bailes de Carnaval. Por
tradição, os clubes organizam seus bailes de forma a propiciar bailes para adultos
e as matinês, onde os pais vão com suas crianças em busca de diversão sadia e
de acordo com a faixa etária compatível com o seu estágio de desenvolvimento.
Modas musicais passam, mas a cultura e os valores
que resultam disso precisam ser levados muito a sério para que nossas crianças
tenham direito de brincar e serem respeitadas como crianças.
ALVARO BATISTA CAMILO, o Coronel Camilo,
54, é deputado estadual pelo PSD-SP. Foi comandante-geral da Polícia Militar do
Estado de São Paulo (governos Serra, Goldman e Alckmin)
*
PARTICIPAÇÃO
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